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Crônicas do Cotidiano


Contos do Cotidiano - Inocentes Eleições.

02-10-2014

Imagem ilustrativa
Por Ivaney
Em 1962 os nossos políticos baianos já tinham o hábito de enganar os eleitores com a velha propaganda do dono do SBT, onde ele fala quem quer dinheiro, aparecia esse tipo de vantagem.
Eu era menino tinha uns dez anos e lembro-me que existia um candidato naquela época que concorria uma vaga a prefeito de Miguel Calmon, onde Várzea do Poço era povoado. Ele se chamava Miguel Isabela, foi quando chegou uma comitiva aqui, com o candidato em cima de um Jeep sem capota (tipo Caçote da 2ª Guerra) com um autofalante tocando a música do candidato, passando por ruas, becos e as duas únicas praças do povoado, todos os moradores eufóricos com o que estavam vendo o candidato Miguel Isabela jogando para cima notas de mil réis, a meninada e os adultos se esmurrando para pegar as notas que eram parecidas com as atuais de cem reais, e o povo diziam. “Esse homem é bom demais.” Lembro como fosse hoje o jingle da campanha: “Miguel Isabela vem aí, Miguel Calmon está cheio de Glórias, queremos um grande prefeito para Miguel Calmon ter um futuro promissor”.
Após o pleito apurado, Miguel Isabela ganhou a eleição e foi empossado prefeito de Miguel Calmon.

Bons tempos aqueles...
Nilton Ivanei Gomes dos Santos, nascido em 1952 em Salvador, mas criado em Várzea do Poço – Bahia. 
Historiador que vivencia os movimentos culturais, esportivos e políticos. 






Contos do Cotidiano – O Bem Amado.


12 de julho 2014



Por Ivanei
Tinha um cara em Várzea do Poço bom de papo, experto e conquistador, ele conheceu um cidadão simples daqueles que confia em tudo e a todos, logo o pacato cidadão convidou para tomar um cafezinho em sua casa, o experto ficou com intimidade e cheio de más intenções, começou a frequentar a casa a qualquer hora. Certo dia ele inventou que tinha chegado de viagem, cansado e pediu para dormir na casa do amigo, que aceitou e pediu para esposa arrumar o quarto de visita para o galanteador, até aí tudo bem, depois que ele pegou confiança do amigo, começou a sair com a mulher, não demorou muito o conquistador passou a dormir no quarto de visita e logo depois a mulher expulsou o marido do quarto de casal colocando pra dormir no quarto de visita e ele se apossou da cama larga. A casa simples, modelo antigo, telhado alto e as paredes que dividiam os cômodos eram baixas conhecidas por meia parede, com isso tudo que se falava dava para se ouvir.

Certo dia depois do lepo, lepo, começaram a conversar vários assuntos, foi quando a mulher falou para o conquistador que o marido estava precisando de um sapato novo, pois o único que ele tinha estava furado na sola. Foi aí que o esperto quis tirar o corpo fora e procurou a mulher se ela sabia o número certo do sapato, pois só comprava se fosse o número exato, porque o cara da loja não trocava. Com essa pressão a mulher disse que não estava lembrada, na verdade não sabia por isso não era pra comprar.  Foi quando o coitado que estava dormindo no quarto vizinho gritou várias vezes: “É 42 é 42”.  

Nilton Ivanei Gomes dos Santos, nascido em 1952 em Salvador, mas criado em Várzea do Poço – Bahia. 
Historiador que vivencia os movimentos culturais, esportivos e políticos. 









QUARTA-FEIRA, 18 DE JUNHO DE 2014

A Copa de 70 aqui era preta e branca na TV.

Por Ivanei
A Copa do Mundo no México em 1970 foi transmitida para o mundo já em televisão em cores, mas aqui em Várzea do Poço, existiam poucos televisores todos com imagem preta e branca. Lembro-me da primeira televisão que assistir era estalada em uma antena chamada espinha de peixe ou pé de galinha, colocada em uma torre medindo 20 metros de altura no quintal da casa do senhor Nabor Lima Rios conhecido por Dabê, grande comerciante da época. Ele trouxe essa televisão de Salvador precisou de vim um técnico de fora para estalar a mesma.
Nesta mesma época outras pessoas compraram TVs como: Senhor Boa Ventura, Senhor Antônio Lopes e o Senhor Gonzaga, que deixavam os moradores assistirem novelas e jogos. Eram muitos chuviscos na imagem que não dava para conhecer os atristas ou os jogadores, por sorte existia as revistas Contigo, Manchete e Ele e Ela que auxiliavam na identificação dessas pessoas.
Saímos em turma de Várzea do Poço para assistir a final da Copa de 70 em Capim Grosso, pois o dono de um posto de combustível daquela cidade comprou uma TV grande a cores colocou em uma antena alta e bem centralizada, logo a notícia espalhou-se na região. Chegamos lá uma surpresa, a imagem limpa sem chuvisco colorida parecia estar no estádio, ficamos bestificados o local estava cheio ficamos muito longe, mas deu para assistir o Brasil ser Tetra Campeão em cima da Itália por 3 a 0 com uma das melhores seleções de todos os tempos.

Bons tempos aqueles.









Nilton Ivanei Gomes dos Santos, nascido em 1952 em Salvador, mas criado em Várzea do Poço – Bahia. 
Historiador que vivencia os movimentos culturais, esportivos e políticos. 





TERÇA-FEIRA, 20 DE MAIO DE 2014

Crônica do Cotidiano - Vendedor de cocadas cai no conto do fim do mundo




Foto: Ilustrativa
Por Ivanei
Existia em o nossa cidade (na época era povoado de Miguel Calmon) um cara que tinha chegado recente da roça e ele gostava de fazer biscate, quando conheceu uma senhora que fazia cocadas, convidou ele para vender. Nessa época só existia o Rádio de pilha como meio de comunicação, um esperto quando viu o vendedor saindo da casa da senhora chamou e disse que tinha ouvido uma notícia no rádio que o mundo ia se acabar naquele dia, aproveitando a inocência do rapaz, conseguiu convencer ele a irem para casa e comeram todas as cocadas do tabuleiro. O vendedor ficava a todo o momento perguntando que horas o mundo ia acabar, o experto dizia ao rapaz que esperasse o Rádio anunciar a hora que ele avisava, o coitado do vendedor cansou de esperar e nada.

No dia seguinte ele foi levar o tabuleiro vazio e sem dinheiro na casa da senhora e contou o ocorrido, ela quebrou o tabuleiro e uma colher de pau na cabeça do vendedor dizendo: “Chevrolet, isso foi coisa de Netinho”.


Nilton Ivanei Gomes dos Santos, nascido em 1952 em Salvador, mas criado em Várzea do Poço – Bahia. 
Historiador que vivencia os movimentos culturais, esportivos e políticos. 














Cronicas do Cotidiano - A Tela Encantada






Por Ivaney
Em meados dos anos 60, em nossa cidade foi inaugurado o primeiro cinema, localizado na Travessa Nabor Lima Rios, Centro. As maquinas projetores dos filmes, foram compradas por Otacílio, um grande artista da construção civil daquela época.
Os filmes eram recebidos em rolos protegidos por caixas de metal, vinham juntos também os grandes cartazes que traziam fotos das cenas de cada filme, que eram exibidos em tabuletas colocadas nas portas dos bares e em pontos estratégicos a exemplo da feira livre. No salão da exibição, era esticada uma grande tela feita de pano branco, sobre uma parede reta onde era projetada a filmagem.
Lembro-me do primeiro filme que assistir, foi A Onça Vencedora com o galã italiano da época Giuliano Gemma e Randolf Scotch. As seções eram as sextas-feiras, aos sábados e domingos não tinham seções, pois sempre tinha festa na cidade ou futebol que vinham de outras cidades, após o jogo o pessoal pegava festa ou boate no Clube SBC, por esse motivo não tinha exibição.
O salão não tinha cadeira, as pessoas traziam cadeiras, tamboretes e bancos na cabeça, outras traziam esteiras de palha, os filmes eram divididos em até três rolos, quando acabava a projeção de cada rolo, acendia as luzes as pessoas levantavam-se para esticar as pernas, fumar, ir ao banheiro, comprar castanha e amendoim torrado dos meninos que vendiam em frasqueiras, também aproveitava o momento para tirar sarro e colocar apelide um dos outros, quando ia recomeçar a projeção dava-se um sinal nas luzes, acendia e apagava várias vezes que era para as pessoas acomodarem-se em seus lugares e fazerem silêncio.   
Quando terminava o filme só tinha uma porta para sair que era a mesma da entrada, todo mundo queria sair ao mesmo tempo com o objeto na cabeça que tinha levado para sentar, aí você imagina a confusão que dava.
Um morador que não vou falar o nome foi assistir a um filme pela primeira vez e irritou-se quando deparou com uma cena em que um ator imberturou uma linda atriz e ele pulou em cima da tela para separar dizendo, “solta a mulher rapaz”. Nesse momento foi uma grande gozação.
Após esse cinema houve outros na cidade, existia um rapaz de Serrolândia chamado Anselmo que trazia os filmes para exibir em salões alugados, foi montado o Cine Aramuí na Praça Edvaldo Valoís, tivemos também um cinema localizado na Praça Soares da Cunha, que pertencia a Pedro de Tibúrcio, outro do Senhor Edvaldo Rios e várias pessoas que tinha cinema ambulante, onde era exibido os filmes em povoados e cidades vizinhas.

Os rapazes daquela época levavam as garotas para namorar no escurinho do cinema. Bons tempos!  



Nilton Ivanei Gomes dos Santos, nascido em 1952 em Salvador, mas criado em Várzea do Poço – Bahia. 
Historiador que vivencia os movimentos culturais, esportivos e políticos.

Cronica do Cotidiano - Rivalidade Boa

Imagem Ilustrativa
Por Ivanei
Em meados dos anos 60, em nossa querida cidade de Várzea do Poço, existia uma rivalidade que era chamada de Pracinha X Pau do Leite. A pracinha era limitada entre o final da Praça Soares da Cunha até as ruas do centro da cidade. O Pau do Leite era do início da Avenida Juscelino Kubitscheck até o Auto Alegre.
A galera do Pau de Leite não levava desaforo da Pracinha, uma galera da Pracinha gostava de tirar o sarro da turma do Pau de Leite e aí o pau quebrava. Quando tinha samba no Pau do Leite, quem era da Pracinha tinha que respeitar, pois ficava a galera ligada para não haver bagunça. A mesma coisa acontecia quando a turma da Pracinha ia para o Clube SBC no Centro, qualquer deslize da galera do Pau do Leite era provocação.

Imagem Ilustrativa
Existia dois times de futebol, um do Pau do Leite e o outro da Pracinha, como se fosse Bahia e Vitória. O campo não tinha alambrado, quando se enfrentavam o placar sempre era empate, se fosse diferente o pau comia solto, a torcida do time perdedor invadia o campo o primeiro a cair fora era o árbitro. O bom é que a garotada tomava tapa, batia e não tinha arma. A intenção era zelar o território porque o campo é localizado no Pau do Leite.
Vou forçar a memoria e escalar os dois times, se eu esquecer o seu nome me perdoe.
Pau do Leite: Ivanei, Rube, Zé Lagoinha, Veinho, Reinaldo, Messias, Josadack de Luzia, Jacinto, Raimundo de Maurício, Gildo de Plácido, Nego Vado, Gringo de Zique, Priquitão, Mininho de Arietides, Luiz de Zé Brito, Quinho de Mané Quiabo, Dêdê de Bidão João Milton e Zé Libano. 
Pracinha: Ivanei, Orlando de Meu Zé, Nego Valter, Hermes de Hermógenes, João de Benigno, Dominguinho, Fio de Casinho, Mundinho de Braz, Nego Dudu, João Carlos, Zemar, Vado de Manoel Dias, Jorge de Guio, Jackson de Dona Hilda, Ovídeo Lasca Pinto, Jessé Coletor, Nelson Papa Jaca, Souzinha de Mané Gazula, Jaime de Liovinho, Luiz de Germana, Fontoura de Canfundó, Normando, Zé Lucivaldo, Zé Carlos, Wilton Rocão e Ronival.
Como eu morava na Praça Soares da Cunha, próximo o limite das duas comunidades, tinha um bom relacionamento com as duas turmas, eu organizava os jogos e já joguei nas duas equipes.

Bons tempos aqueles.

Nilton Ivanei Gomes dos Santos, nascido em 1952 em Salvador, mas criado em Várzea do Poço – Bahia. 
Historiador que vivencia os movimentos culturais, esportivos e 

Crônicas do Cotidiano - Economia varzeana dos anos 60


Por Ivanei
Nossa economia naquela época girava em torno da agropecuária, era o feijão, farinha de mandioca, milho, fumo, mamona, licurí e a madeira, essa era extraída em nossa região e beneficiada pelos serradores em cima de estaleiros dentro da cidade, tinha um na Praça da Igreja.
A pecuária leiteira e de corte era a mais forte da região, fornecendo leite para os laticínios, a produção de queijo, requeijão e manteiga era vendida para as grandes cidades da Bahia e outra parte desta produção incluindo carne de sol era comercializada em São Paulo.
A comercialização de animais como gado, porco, bode, carneiro, galinha, peru e outros acontecia na feira livre. Os porcos eram adquiridos pelos moradores para serem criados no quintal das suas casas, engordava para o abate obtendo uma renda extra. Boa parte dessas aves e ovos de galinha era vendida em Feira de Santana.


A produção de feijão, farinha de mandioca, milho, fumo, mamona e licurí era vendida aos atacadistas da cidade que revendia para outros estados como, por exemplo: O fumo era vendido para a Souza Cruz em Salvador e outra parte era beneficiada aqui para fabricação do fumo de corda para ser vendido na feira livre. O licurí e a mamona eram vendidos em grande escala, toda semana saia dos depósitos de Várzea do Poço um média de 30 toneladas para as Indústrias Coelhos em Salvador e Juazeiro – Bahia, para fabricação de sabonetes finos e especiais da Gessy Lever em São Paulo.


Outra cultura que era cultivada em nosso munícipio o sisal, desfibrado no mato, através de motor a diesel secada em varal, as fibras eram vendidas em Salvador, outra partes era passada para a fabricação artesanal de cordas na região. Essas cordas eram usadas para laços, arreios e amarrar cargas nos caminhões.  
Quando chegava a época do plantio, os agricultores recompravam as sementes selecionadas para plantar e também para o consumo humano e de alguns animais como aves e porcos. Naquela época não se dava ração ao gado.
Existia grande comércio entre cavalos jegues e burros, falando desses animais, grande parte desses produtos era transportado por tropas de burros, por ser animais mais resistentes, essas tropas era formada em média por 50 animais, depois de carregados tomavam a estrada, um desses animais viajava na frente com um peitoral de couro com vários chocalhos que de longe se ouvia o som, o que era mais interessante, é que esse animal que viajava na frente não deixava os outros passar até chegar o destino que as vezes levava dias. Era fascinante olhar uma tropa de burros passar.
Nomes dos comerciantes da época e seus respectivos negócios:
Felipe Franco – Mamona e licurí.
Ariosto - Cerealista em geral.
João Ferreira Franco - Mamona e licurí.
Nabor Lima Rios - Cerealista em geral.
Edésio Antunes da Silva – Licurí, mamona e sisal.
Antônio Benedito da Silva – Cerealista, mamona, licurí, fumo e sisal.
João Cunhão – Fumo de corda e em folha.


Várzea do Poço era grande polo produtivo, bons tempos aqueles.  

Nilton Ivanei Gomes dos Santos, nascido em 1952 em Salvador, mas criado em Várzea do Poço – Bahia. 
Historiador que vivencia os movimentos culturais, esportivos e 





Crônicas do Cotidiano - Brincadeiras inocentes


Por: Ivanei Santos

Em 1964 a 1968, existia uma galera aqui em Várzea do Poço, quase todos da mesma idade, que naquela época brincávamos todos integrados com o momento daquela diversão como: Pinhão, suruco, cavalo de pau, carro de caixão, gude, ponto armado, guerrô, raia, pula corda, enfinca, boca de forno, pau de bosta, carrinho de lata, roda pneu, esconde-esconde, meu e teu, vira figurinha, pau de cebo, fazer represa na correnteza da chuva, macaco ou onça e nos tempos de trovoadas, cantar o refrão “cai, cai tanajura na panela da gordura”, que era para as tanajuras (formigas de asas), caírem para serem espetadas pela bunda, pegar piaba e peixe-sabão no sangrador dos tanques, tomar banho nas aguadas. Essa última brincadeira não era aconselhada pelos nossos pais, mas saíamos escondidos às vezes não dava certo, porque o dono do tanque pegava a nossas roupas, levava para sua casa e depois entregava para nossos pais. Quando chegava circo na cidade, o palhaço saia pelas ruas em cima das pernas de paus para anunciar o espetáculo gritando “hoje tem espetáculo” Nos respondíamos atrás do palhaço, “tem sim, senhor” o pagamento era o ingresso para o espetáculo. Eram tempos divertidos.


Essa galera era composta por: Ivanei, Nego Valter, Orlando de Meu Zé, Tonho Criminoso, Dão de Joaquim, Adailton de Raul, Vado de Diquinha, Ronival, Dico de Zé Pelanca, Jorge de Guio, Hermes de Hermógenes, Josadak de Luzia, Zé Gago de Lagoinha, Afonso de João Motorista, Normando de Cotinha, Edson Bem-te-vi e Ercílio de Gonzaga, Mundinho de Braz, Dêdê de Bidão, João Carlos de João Palmeiras, Vado de Manoel Dias, João de Benigno, Zemar, Fio de Cazinho, Zé Catita, Nabuco de Belarmino, Miguelzinho de Dabê, Minininho de Aristides, Raimundo de Mauricio, Bureco de Zique, Dinado de Mario da Tiririca, Luiz de Louro, Tonho de Valmir, Itinho de Elide, Wilton de Netinho, Nivaldo Babão, Rocão, Vaninho, Birrinho de Miliano, entre outros.




Nilton Ivanei Gomes dos Santos, nascido em 1952 em Salvador, criado em Várzea do Poço – Bahia. 
Historiador que vivencia os movimentos culturais, esportivos e políticos dessa cidade.

BELA COLUNA.
PARABÉNS E CONTINUE
OS JOVENS DEVEM FICAR ATENTO A ESSAS INFORMAÇÕES

ABRAÇOS

ROBERTO POLLO

Crônica do Cotidiano - Embaixada de Futebol




Foto: Ilustrativa
Por: Ivanei
Em 1969, os jovens de Várzea do Poço, especialmente entre 15 e 19 anos participavam intensamente do futebol existente daquela época. As equipes do Bahia, Galícia, Flamenguinho e Ferroviário que participavam do campeonato varzeano, após essas disputas com as categorias maiores, formava um time para jogar partidas fora da nossa cidade. A grande emoção era a embaixada de jegue que saia da praça principal até a cidade ou povoado onde iríamos jogar.
Era divertido, pois tinha tanto jogador que cada animal levava um na garupa, quando chegava à cidade do destino o organizador tinha a missão de arrumar hospedagens para os jogadores e para os animais. 
Os arreios eram armazenados geralmente em um cômodo de um bar. Após o jogo o que tornava mais complicado ao mesmo tempo divertido, era cada dono do animal encontrar a sua sela naquela pilha gigante de arreios, geralmente o jogo terminava já escuro e o cômodo onde estava os arreios não tinha luz, às vezes com candinheiro ou vela formava um puxa-puxa, no final alguns animais vinham com arreios trocado.
A confusão dos arreios não tinha muita importância, o bom é que saíamos daquele lugar cantando, aboiando, fazendo rapa e tirando sarro uns dos outros até chegarmos a nossa cidade. Outro detalhe era que na entrada parava todo mundo para formar uma fila indiana (um atrás do outro), contornando a praça principal para encerramento da embaixada.


Bons tempos aqueles.
Nilton Ivanei Gomes dos Santos, nascido em 1952 em Salvador, mas criado em Várzea do Poço – Bahia. 
Historiador que vivencia os movimentos culturais, esportivos e políticos dessa cidade.






Crônicas do Cotidiano - Romantismos e Serenata

Foto: Ilustrativa
Por: Ivanei

Na época dos anos 60 e 70, os jovens de Várzea do Poço, tinham um sentimento amoroso e romântico muito maior. Pois traduziam a ambos as atitudes das brincadeiras, dos esportes daquela época que eram praticados por todos como: Paqueras em festas escolar, datas comemorativas como sete de setembro, desfile, quermesse, festa dançante, encontro religioso, embaixada, circo, cinema, corrida de cavalo, jogo de futebol, peça de drama na escola, tourada, boleado, pula corda, programa de calouro, soltar pipa, peão e a famosa cadeira na porta da namorada. Todas essas atividades geravam emoções para aquelas pessoas que se admiravam e posteriormente se namoravam com sentimentos de amor e carinho.
Nessa época já existia o rádio de pilha e a famosa radiola, que juntos com o violão eram instrumentos fundamentais para fazer uma boa serenata, sempre após as 23:00 horas com a presença do namorado colocando a radiola em baixo da janela na frente da casa dos pais da namorada ou cantando com o violão as músicas românticas da época.
E para apimentar a emoção a homenageada acendia a luz ou às vezes abria a gretinha da janela para olhar o seu seresteiro.
Relembrando: Bons tempos aqueles.
 Publicado em: 25-01-2014


Nilton Ivanei Gomes dos Santos, nascido em 1952 em Salvador, mas criado em Várzea do Poço – Bahia. 
Historiador que vivencia os movimentos culturais, esportivos e políticos dessa cidade.

 






Crônicas do Cotidiano - Nos Tempos do Vai e Vem



Por: Ivanei

A partir do ano de 1960 até 1970, em nossa querida cidade de Várzea do Poço, existia um ponto preferencial para os nossos jovens apelidado de Vai e Vem. Era onde os casais passeavam, conversavam, paqueravam e usavam os Pombos Correios para colocar os assuntos das paqueras em dias, e ate que firmassem grandes namoros e também casamentos que surgiram nessa pequena passarela, localizada na Praça Edvaldo Valoís ao lado de baixo da praça localizada em frente da casa de Zezinho de Zacarias até a porta da Padaria de Manoel Dias.
Um detalhe curioso que ocorria é que o Vai e Vem acontecia todos os dias da semana, preferencialmente com grande movimento aos domingos, onde o som que vinha do Bar Central de Jarbas, que era tocado por radiola com discos de vinil. Ao passar pelo Vai e Vem, ouvíamos as músicas de sucessos da época entre elas dos cantores: José Roberto, Roberto Carlos, Paulo Sergio, Tim Maia, Odair José, Valdick Soriano, Lindomar Castilho, Wanderley Cardoso, Jerry Adriane, The Fiveres, Renato e Seus Bluecaps, Silvinha, Eduardo Araujo,Erasmo Carlos, Wanderléia, Vanusa, Adriana, Trio Ternura, Os Vips, Os Gold Boys, Nelson Ned, Altemar Dutra e Sergio Reis.
Após o sinal da luz elétrica que era gerada por Motor a Diesel, era desligada e em seguida religada, ao mesmo tempo indicando sinal que após 15 minutos iria desligar total as luzes da cidade, isso acontecia por volta das 22:00 horas.  Os casais se despediam e iam para suas casas com as canelas e os pés sujos de poeira onde tinha que se lavar antes de dormir.
Nessa época existia mais amor inocência e romantismo. Bons tempos aqueles. 
 Publicado em: 17-01-2014
Nilton Ivanei Gomes dos Santos, nascido em 1952 em Salvador, mas criado em Várzea do Poço – Bahia. 
Historiador que vivencia os movimentos culturais, esportivos e políticos dessa cidade.


Clécia Simone disse...QUE BOM IVANEI OUVIR VOCÊ CONTAR ESSAS HISTORIAS DA NOSSA TERRA. JÁ OUVIR MUITO ESSAS HISTORIAS CONTADAS POR MEUS PAIS,MAIS ISTO É MUITO GRATIFICANTE PODER PASSAR PARA NOSSOS FILHOS E NÃO DEIXAR CAIR NO ESQUECIMENTO. PARABÉNS IVANEI PELA MATÉRIA.

CLÉCIA SIMONE
18 de janeiro de 2014 10:14
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